Entre dúvidas, silêncios e recomeços, a verdadeira transformação acontece quando escolhemos ouvir a nós mesmas e assumir a autoria da própria vida
O peso do que não decidimos
A vida nos exige escolhas todos os dias. Desde o instante em que abrimos os olhos, começamos a decidir: o que vestir, o que comer, quais compromissos assumir, quais adiar, o que dizer, o que calar. Quase sempre, fazemos tudo no automático. E, sem perceber, já tomamos uma sucessão de decisões que moldam o nosso dia, a nossa semana, a nossa história.
Mas hoje quero chamar sua atenção para outro tipo de escolha: aquela que adiamos. Aquela decisão que empurramos para depois por medo de errar. Medo de ferir alguém. Medo de mudar demais. Medo, sobretudo, de nos arrependermos.
E assim, o que poderia ser um gesto de coragem vai se transformando em peso. Um peso persistente, que cresce à medida que evitamos assumir a responsabilidade por aquilo que, no fundo, já sabemos que precisa ser escolhido.
Você já sentiu isso?
Já se viu diante de uma decisão importante sem saber se desejava mesmo dar o próximo passo? Já hesitou por não conseguir medir o impacto da sua escolha na vida de outras pessoas? Já permaneceu onde estava apenas porque o desconhecido parecia ameaçador demais?
Entre o medo e o desejo
Quase sempre, são o medo e o desejo que guiam nossos movimentos. O medo nos paralisa. O desejo nos chama para a vida. E é justamente entre esses dois impulsos que travamos algumas das batalhas mais profundas da existência.
Essa é uma das reflexões que a autora Bruna Moura apresenta em seu livro Mergulhando em Mim, publicado pela nossa editora. Na obra, ela compartilha uma jornada de autoconhecimento marcada por uma escolha radical: deixar para trás uma carreira promissora como advogada para buscar seu verdadeiro lugar de paz.
A partir de vivências profundas, entre cursos, meditações, imersões na natureza e experiências espirituais, Bruna mostra que é possível transformar a responsabilidade de decidir. O que antes parecia um fardo pode se tornar fonte de liberdade, empoderamento e verdade.
Mas isso exige coragem, introspecção e honestidade consigo mesma. Exige ação consciente. Porque decidir com sabedoria não é escolher o caminho mais fácil. É escolher o caminho que faz sentido para aquilo que somos e para aquilo que viemos ser.
Escutar o silêncio
Em um dos trechos mais marcantes do livro, a autora nos convida a silenciar:
“Fique em silêncio, dê uma pausa nas verdades que os outros dizem; pare de ouvir as mentiras que você diz a si mesma para justificar as crenças que carrega e as ilusões que criou para sustentar seu comportamento. Só uma informação valiosa pode romper esse silêncio e é nesse momento que você percebe que o silêncio falou com você.”
Talvez uma das maiores dificuldades do nosso tempo seja justamente essa: escutar o silêncio. Vivemos rodeadas de ruídos, opiniões, expectativas e cobranças. Há sempre alguém dizendo o que deveríamos fazer, como deveríamos viver, que rumo deveríamos seguir.
Eu penso que a clareza nasce quando cessam as vozes externas e nos dispomos, enfim, a ouvir a nossa própria verdade.
A decisão como liberdade
A autoconfiança não nasce pronta. Ela se constrói. É uma jornada muito mais interna do que que externa.
Quando estamos alinhadas com o nosso desejo mais verdadeiro e com o nosso propósito, as decisões deixam de ser um peso. Elas passam a ser expressão de maturidade, de presença e de liberdade. E então nos sentimos mais inteiras para sustentar as consequências das nossas escolhas, sejam elas quais forem. E sabedoria fala disso: assumir a autoria da própria vida.
E você, leitora, está alinhada com o seu propósito?
Está disposta a ouvir o que o silêncio tem a dizer?
E, mais do que isso, está pronta para decidir, hoje, algo importante em sua vida?
Serviço: A autora Bruna Moura estará na Bienal autografando sobre seu livro Mergulhando em Mim. Você pode encontra-lo também na Amazon.
Quem escreve:
Heloisa Belluzzo é publisher, jornalista e fundadora da Heloisa Belluzzo Editora. Pós-graduada em Marketing, atua há mais de 20 anos no mercado editorial com mentoria de autores, publicação de livros e valorização de narrativas femininas.
Recebeu o Woman Awards 2025 na categoria Clarice Lispector por sua contribuição à literatura feminina e também é criadora do projeto Sabedorias Femininas, que reúne histórias e experiências de mulheres do Brasil e do exterior, promovendo conexão, acolhimento e protagonismo através da escrita.
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